
O que é Bursite nos pés?
A Bursite é uma inflamação na estrutura anatômica “bursa” (pequena bolsa líquida que envolve as articulações e funciona como amortecedor entre ossos, tendões e tecidos musculares), a qual permite a melhor mobilização dos tendões, que funcionam como verdadeiros lubrificantes naturais. Sua função é reduzir o atrito entre estruturas (por exemplo, tendão e osso, tendão e pele) ou proteger as proeminências ósseas.
As principais causas são os traumatismos, lesões por esforço repetitivo, artrite (inflamação das articulações) e gota (depósito de cristais de ácido úrico na articulação e Infecções).
Geralmente aparecem sintomas como dor ao redor da articulação (especialmente quando é pressionada ou movimentada), inchaço ou edema, restrição de movimentos e inflamação (combinação dos sinais clássicos de vermelhidão, calor e inchaço da articulação).
Esse problema é comum entre os corredores, e frequentemente ocorre quando uma articulação é forçada. Nos tornozelos e pés, as bursites mais frequentes se localizam junto ao tendão de Aquiles:
1) Bursite pré-aquileana (entre o tendão e o tecido subcutâneo / pele), produz um quadro inflamatório bem superficial na região posterior do calcâneo, causando vermelhidão e dor à palpação do calcanhar. O atrito do tênis, em especial quando são novos, ou as dobras das meias são suficientes para causar atrito local e consequentemente esses sintomas.
2) Bursite retro-aquileana (entre o tendão de Aquiles e o calcanhar), não produz tantos sinais inflamatórios na pele. É marcado pela dor pontual à palpação da inserção do tendão no osso calcâneo, está relacionada ao formato do calcâneo, que pela própria anatomia pode apresentar uma proeminência, que gera o atrito com o tendão.
3) Bursite intermetatarsal (no antepé), são causadas pelo excesso de treinos, pisos duros, treinos de tiros de curta distância (quando há sobrecarga do antepé), calçados com pouco amortecimento, e também pela presença de pé cavo (contrário do pé chato) ou falta de alongamento do tendão de Aquiles (com tendência a correr com o antepé).
O tratamento é feito sob orientação médica e inclui o uso de anti-inflamatórios, relaxantes musculares, redução dos movimentos na área afetada, aplicações de gelo que podem ajudar na redução da dor e inflamação, e o uso de calcanheiras de silicone e palmillhas, caso necessário, para redução das pressões plantares. Exercícios fisioterapêuticos podem ajudar, desde que orientados por profissionais especializados. Exames como a Ultra-sonografia e IRM (Imagem de Ressonância Magnética), podem auxiliar o diagnóstico.
Dicas e Cuidados aos corredores:
- Cuidados com o aspecto do pé, pois calos e fissuras podem interferir na pisada;
- Equilibrar o volume e intensidade de treinamento, especialmente se você está acima do peso, por isso a importância de uma avaliação com um educador físico;
- Calçado adequado, ele deve ter um bom amortecimento para que absorva melhor o impacto, podendo ser identificado através do exame Baropodometria (método de análise da base estrutural do pé através das áreas de maior pressão plantar, avaliando o tipo de pisada).
- Fortalecimento da musculatura da panturrilha, tibial anterior, fibulares e intrínsecos do pé, estes se originam abaixo da articulação do tornozelo, podendo situar-se no dorso ou na planta do pé, e realizam a movimentação dos dedos.
- Treinamento sensório motor (propriocepção), importante fonte de informação sensorial interna que dá ao indivíduo a noção sobre as posições e movimentos do corpo, tendo um importante papel no controle motor, principalmente nos esportes, pois tem demostrado melhora na absorção dos choques, da estabilização articular, dos desequilíbrios musculares e na biomecânica funcional do indivíduo enquanto aumenta a força dos tecidos estruturais como ligamentos e tendões, reduzindo assim o risco de lesões.
Dra. Alessandra Seone, fisioterapeuta da Santo Corpo